31 de janeiro de 2011

Não há silêncio que não termine, Ingrid Betancourt


O que você faria se ficasse seis anos em cativeiro?

Em 2002, quando era candidata à presidência da Colômbia, Ingrid Betancourt foi sequestrada pelas Farc, um dos grupos guerrilheiros mais conhecidos daquele país. Eles tinham a intenção de negociar sua liberdade em troca da libertação de integrantes da organização que estavam presos. Em 2008, foi libertada pelo exército colombiano.

Lançado no Brasil em setembro de 2010, pela Companhia das Letras, o livro Não há silêncio que não termine (publicado originalmente em francês, com o título "Même le silence a une fin") é um relato absolutamente impressionante de Ingrid sobre os mais de dois mil dias em que ficou em cativeiro.

Sabe esses livros que não deixam você dormir? Daqueles que você pensa: “Vou ler só até a página 60” e quando percebe já está na 80? Desses que você quer levar para todo lado, tomar banho com ele? Não há silêncio que não termine é assim.

Em 553 páginas a ex-senadora colombiana conta, com uma riqueza de detalhes assustadora, citando diálogos e características dos lugares por onde passava, os dias, meses e anos em que viveu como uma nômade, vagando pela selva colombiana, refém do grupo guerrilheiro, passando fome, frio, doente, e as tentativas de fuga.  

No dia da libertação
Depois, já arrumadinha
Ingrid foi solta em 2008 juntamente com mais 15 reféns. O relato sobre os anos na selva é feito sob a ótica dela (que difere bastante dos outros, veja aqui)! Seis anos de cativeiro é uma situação que coloca à prova todos os limites e instintos mais básicos do ser humano, não?

Em muitos momentos, tive a impressão de que Ingrid se esforçou para passar a imagem de uma pessoa equilibrada, compreensiva, solidária, leal, companheira, culta. Todos esses predicados, no entanto, só pertenciam a ela. Os outros (quase todos), se considerarmos apenas os relatos da refém, eram rudes, mentirosos, ignorantes, mesquinhos, egoístas, medrosos.

Talvez pela necessidade de manter essa imagem, em nenhum momento do livro a colombiana faz referência explícita a um relacionamento amoroso com outro refém ou guerrilheiro; nenhuma palavra sobre violência sexual; nada sobre o desejo de matar alguém (os soldados farquianos eram cruéis com ela) e, em pouquíssimos momentos, cita a possibilidade de acabar com a própria vida (afinal, ela não sabia quando, e se, ia ser libertada).

Graças ao rico relato de Ingrid, a cada linha, cada página, é possível se sentir dentro do cativeiro e pensar: no lugar dela, o que eu faria?

Você já leu esse livro? O que achou? Comente!

Postado por Mariana

8 comentários:

  1. Eu não cheguei a ler o livro. Mas, qdo do lançamento, ela se pintou de A equilibrada. Os outros reféns diziam que não era bem assim, não. E, no início, ela era arrogante, destacada etc. etc. até cair a ficha. Tanto que a assistente dela que foi sequestrada junto nem olha pra cara dela hj. Mas, mesmo assim, nem sei de onde tiraria forças aguentar o q ela aguentou.

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  2. Ah, ela escreveu um outro livro, né? Um com cartas que ela escrevia pra mãe. Vc já leu?

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  3. Rafa, não li esse outro livro da Ingrid. Nesse link q disponibilizei no post, a Clara Rojas fala super mal dela, assim como outros companheiros de cativeiro. Mas isso não tira a qualidade do livro, que é uma narrativa muitíssimo bem feita!

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  4. Quero ler esse livro!!!

    Beijinhos**

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  5. Anônimo9/2/11 11:06

    Puta que pariu seis anos em cativeiro e tem gente que fica criticando mulher chamando de arrogante... Vão se foder seus críticos burros de merda, voltem pra escola, ou fiquem no lugar dela levando no traseiro para ver se é bom seis anos de cativeiro...

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  6. Olá, Anônimo.
    Este é um blog de opinião. Cabem todas, inclusive a sua.

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  7. Estou lendo este livro... quando acontece algo entre duas pessoas, há também duas versões da história, certo? Acredito q se ela "era arrogante" era somente a casca, porq no livro ela abre a alma!

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