2 de março de 2012

Filme Histórias Cruzadas

Demorei, mas consegui assistir ao filme Histórias Cruzadas, baseado no livro A Resposta, que eu já li e adorei (para ver o post, clique aqui). 

Eu fico com um pé atrás quando livros são adaptados porque geralmente deixam algum furo, detalhes importantes ficam de fora em detrimento de coisas superficiais, alteram um pouco a história para ser melhor contada na tela, enfim, coisinhas que me irritam. 

Mas, de coração aberto, vi Histórias Cruzadas. A comparação é inevitável. Mas a adaptação se manteve fiel. Claro que houve muita edição ou o filme teria cinco horas (ele dura 2 horas e 30 minutos!). Apesar de ser um pouco longo demais para o meu gosto, não o achei cansativo.

As duas indicadas ao Oscar de atriz coadjuvante.
A história das empregadas negras e as patroas brancas em Mississipi dos anos 60 foi retratada quase como uma novela, sem a crueza que um documentário expõe. Inclusive, achei que foi bem leve. Sim, eu sei que é um filme, que geralmente romanceia os fatos, mas há outras películas com temas espinhosos e retratam de forma bem pesada. Mas não é porque o filme é leve que você não consegue refletir sobre os conflitos, a existência de leis que segregam e como os brancos não conseguiam chegar além.

Eu achei leve porque, como no livre, a história da segregação racial é focada na relação patroa-empregada, na vida das personagens e não em fatos históricos, lutas, sangue etc.


Não assisti aos outros concorrentes do Oscar, então, não posso dar 100% de certeza. Mas, pelo que eu vi, não acho que o filme teve chances na premiação. Ele é bom, sim, a abordagem é boa, mas não teve o “quê” para impulsioná-lo para ser mais do que uma obra meio drama, meio comédia. 

Octavia Spencer, que ganhou o Oscar como melhor atriz coadjuvante, mereceu seu prêmio, mas a outra concorrente Jessica Chastain, uma das patroas brancas, apareceu pouco, mas quase roubava as cenas. Se o prêmio fosse para ela, não espantaria. Aliás, o elenco inteiro é muito bom. Viola Davis (indicada à melhor atriz), Bryce Dallas Howard (que faz a “vilã” Hilly) e Emma Stone (que faz Skeeter) estão ótimas e demonstram verdade no que dizem, no olhar, enfim, a escolha do elenco foi muito acertada. 

Enfim, gostei do filme, principalmente porque já conhecia a história. Quem espera ver mais tensões entre negros e brancos, mais contexto político, pode se decepcionar um pouco. 

Testado por Rafaela

4 comentários:

  1. Seu depoimento me animou a ver o filme. Eu sempre "desconfio" de filmes baseados em livros, mas, assim como vc fez, vou ver esse de coração aberto!

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    1. Isso, Mariana. Assista sem muita expectativa e sem achar que deveria ser uma aula de história. Depois conte o que achou. :D

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  2. Anônimo3/3/12 10:50

    As críticas detonaram esse filme, mas eu gostei.. realmente não é pra Oscar, concordo com o que vc disse que faltou o "q" a mais. Vi "O Artista" também, e apesar de ser bem interessante a novidade, e algumas cenas serem bem inteligentes, não achei tão "entertaining" (desculpa o inglês, mas em português seria "divertido" e não é bem isso que quero dizer) quanto esse Histórias Cruzadas.

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    1. Pois é, Anônimo. Eu não me animei para ver "O Artista", mas eu lembro que a vitória do "Discurso do Rei" ano passado não agradou a crítica pq diziam que o filme era muito quadradinho, certo, não ousava. Esse ano, o Oscar foi para um filme mais ousado, vamos dizer assim.

      Enfim, eu gostei de Histórias Cruzadas e, mesmo não vendo os outros, já sabia que não teria chances.

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