10 de outubro de 2012

Livro Meu Amigo Michael – Frank Cascio

Recebemos da editora Sextante o livro Meu Amigo Michael, de Frank Cascio – amigo e funcionário de Michael Jackson por muitos anos. Como fã do cantor, gosto de ler, de vez em quando ao menos, algum texto que mostre mais do que as excentricidades, bizarrices de Jackson de um ponto de vista negativo. Mas fiquei surpresa que Frank Cascio, um amigo tão próximo (considerado da família), pudesse escrever um livro para contar detalhes da vida íntima e de decisões controversas de Michael Jackson. 

Cascio conheceu Jackson aos 4 anos por intermédio de seu pai, que era o gerente do hotel onde o cantor costumava se hospedar quando estava em Nova Iorque. Sua família (pais, irmãos, avós) passou a ter uma relação bem próxima com Michael, sendo considerada uma segunda por ele, com quem passava Natal e outras datas comemorativas. Cresceu em sua companhia, inclusive acompanhou-o por viagens e turnês, visitava com frequência Neverland. Mais velho, lá pelos 16 anos, tornou-se seu secretário particular. 

Confesso que, quando comecei a ler, achei o livro chapa branca demais até pra mim. O autor reafirma sempre que MJ, acostumado a trabalhar e a ter fama desde criança, desenvolveu um mundo particular, com suas excentricidades, manias e desconfianças de praticamente todas à volta. Como sua “marca” era (e ainda é) quase uma holding – com investimentos em vários tipos de ramos de negócios –, advogados, empresários, assistentes e todos os tipos de conselheiros brigavam (e brigam) entre si para conseguir o máximo de atenção e dinheiro, nem sempre com objetivos nobres, vamos dizer assim. Ou seja, o livro tenta mostrar como Michael estava envolvido em uma rede de interesses e que, muitas vezes, não sabia em quem confiar. 

Frank Cascio no dia em que conheceu Michael Jackson.
Durante toda a narrativa, Frank Cascio se mostra como um funcionário e amigo leal que tentou todo o tempo proteger e defender Michael Jackson. E, sim, admite que muita coisa que aconteceu com o cantor (processos, negócios frustrados, perdas significativas de dinheiro) foi por culpa do próprio Michael. Maus julgamentos, confiar em pessoas erradas, apostar em negócios duvidosos foram responsabilidades quase exclusivas dele. E conta também como ele, Cascio, se viu envolvido nessas redes de fofocas, que colocaram sua lealdade à prova, com Jackson desconfiando dele. 

Cascio afirma veementemente que toda aquela conexão com as crianças era sincera e sem qualquer outra intenção a não ser ajudá-las, criar vínculo, recuperar a infância que MJ não teve. Relembra, também, as acusações de pedofilia (inclusive, fala sobre a ganância dos pais das crianças sobre a fortuna do cantor. Frank foi indiciado como cúmplice no segundo caso – MJ foi declarado inocente e ele também se livrou do processo.), o vício em analgésicos cada vez mais fortes, dentre outras coisas. 

Enfim, apesar de, às vezes, ser exageradamente positivo, gostei de Meu Amigo Michael por saber os bastidores de certas situações que só tivemos conhecimento pela mídia e de forma nebulosa. Seu amor por crianças, principalmente seus filhos, pelos animais, seu incentivo à leitura, à busca do conhecimento, seu casamento com a filha de Elvis Presley, o nascimento dos filhos... Passa por vários pontos da vida controversa de um homem que fascinou o mundo com sua música e sua dança. 

O livro Meu Amigo Michael, da Sextante, tem 352 páginas, boas fotos e custa por volta de R$30. 

Você já leu? O que achou?

Testado por Rafaela

4 comentários:

  1. Tem tantos livros e tantas histórias sobre MJ, que, às vezes, eu acho que o que é verdade, lenda e mentira se confundem. No final, sempre fico com a sensação de que MJ era muito solitário.

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    1. Tb acho, Mari, por mais que ele estivesse sempre cercado de gente, essa necessidade de "adotar" famílias e a desconfiança quase patológica o deixavam muito isolado, solitário. Ele não confiava muito nos irmãos (tanto que o autor do livro fala muito pouco sobre eles).

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  2. A narrativa feita por alguém tão próximo e amigo tende ao endeusamento do personagem. Mas creio que apesar de suas esquisitices, MJ tenha sido uma pessoa vítima do seu próprio ego e de quem o cercava.

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