30 de março de 2013

Testei pra Você Entrevista - Turismo

Reservar pode ser bem mais estressante do que se imagina. Overbooking, valores altos, taxas, mau atendimento... Pra gente não cair em furadas, o Testei pra Você Entrevista, hoje, é com a turismóloga e blogueira do Entre Livros Carolina Silva. A Carol está sempre por aqui, seja no como testadora convidada, seja emprestando livros. Além de ser escritora, Carol é formada em Turismo, com experiência em reserva, e nos dá várias dicas.

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Vamos lá?

TPVE: O que o hóspede deve ter em mente quando vai cotar preços para saber se não está muito caro? Benefícios do hotel, localização, equipe de funcionários?

Carolina: O hóspede geralmente não pensa na equipe que vai encontrar em um hotel porque esta análise ele geralmente faz quando já está hospedado. Geralmente, as pessoas partem do princípio que o atendimento de qualidade independe do hotel. O que as pessoas pesquisam e muito são as formas de acesso ao estabelecimento e, é claro, o que o hotel pode oferecer durante a estadia. Existem muitos hotéis que prestam serviços com qualidade e oferecem benefícios, mas não dispõem de acessibilidade - inclusive nos apartamentos, como no caso dos cadeirantes - e existe o contrário. Cabe ao hóspede verificar quais são os itens mais importantes para seu bem-estar naquele momento e analisar o hotel como um todo.

TPVE: O que é necessário para a experiência em um hotel ser ótima para os dois lados? Quais os deveres tanto da equipe do hotel quanto do hóspede?


Carolina: Por ser uma questão de opinião de cada hóspede, é interessante que eles sigam as orientações dos profissionais, para começar. Se existe horário para entrada e saída, espaço para fumantes ou permissão de animais até certo horário em áreas comuns, por exemplo, que sejam cumpridos. Não adianta deixar de prestar atenção nas possíveis normas de cada hotel e depois cobrar. Isso também vale para os profissionais que, desde o momento da reserva, precisam passar informações corretas e indicar aos hóspedes o que realmente estão adquirindo. O atendimento de qualidade garante a confiança do hóspede, enquanto seu respeito aos limites do hotel naquele momento, já que podem existir, garante a certeza de que o estabelecimento está prestando um bom serviço e sendo entendido pelo cliente. Tudo se resume em cumplicidade, de certa forma.

TPVE: Você tem algum palpite por que alguns destinos nacionais são bem mais caros do que internacionais?

Carolina: Independente de qualquer coisa, o fato de alguns destinos nacionais serem mais caros do que outros é ótimo. Isso quer dizer que muitos brasileiros e turistas de outros países estão cada vez mais interessados em nossos destinos. Não falo apenas do turismo doméstico - aquele praticado por brasileiros, dentro de nosso país - mas de forma geral. Para os profissionais da área, essa diferença significa que o país está agradando e que as pessoas estão valorizando o que temos, antes de procurarem o que outros países têm para oferecer. No entanto, realmente alguns destinos estão mais caros, mas não só porque o turismo gera divisas, porque naturalmente foram descobertos, ou porque sofrem os efeitos da própria economia. No caso da nossa cidade, essa mudança ocorre principalmente por antecipação ao que virá, já que os próximos anos prometem um fluxo de turistas melhor do que o registrado na última década, por tantos eventos consideráveis. Isso torna urgente a necessidade de profissionais capacitados e de estrutura suficiente para suprir a demanda, que faz com que nossos preços estejam entre os mais caros do mundo, atualmente, o que nem sempre agrada o bolso dos turistas.

TPVE: Com sua experiência em reservas de quartos de hotel, você acredita que sites de compras coletivas ou que oferecem bons descontos, como Peixe Urbano e Decolar.com, são confiáveis? Quais dicas para ficar atento e não cair em uma furada? Em que o consumidor deve prestar atenção?

Carolina: Creio que em todos estes sites existam ofertas interessantes, até porque nenhum deles simplesmente publica a oferta sem parceria com os hotéis. O que acontece é que os hóspedes, geralmente, adquirem as ofertas mas não procuram entrar em contato com os hotéis para tirar dúvidas ou não prestam atenção nas regras de cada uma delas. É importante, também, que as empresas descrevam claramente o que está sendo oferecido e sejam rápidas na solução de problemas, caso existam. Aliás, é interessante notar que nem todos os compradores estão acostumados com a compra on-line e alguns só estão viajando porque descobriram essa facilidade. Isso é ótimo pelo fato de que os sites de compra coletiva aproximam as pessoas de seus objetivos, mas é ruim se não estiverem de acordo com suas expectativas, o que requer certo cuidado. Por isso acho importante que as pessoas liguem para os hotéis para confirmar as ofertas, tirem todas as dúvidas e entendam que as ofertas costumam ter prazo para utilização e, dependendo do site, nem sempre o ato da compra significa reserva confirmada, porque a maioria dos hotéis solicita que seja feito contato para agendar após a compra. Com isso em mente, dificilmente elas vão errar.

Muito obrigada, Carol, pela entrevista. Agora já sabemos: não basta ver o preço, temos de ver as condições do hotel!

Testado por Rafaela


4 comentários:

  1. É um relacionamento de mão dupla, o possível hóspede com o hotel. Se cada um souber expor o seu ponto de vista e ouvir o que o outro tem a dizer. Ninguém teria dor de cabeça e todo mundo sairia ganhando.

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  2. Eu que agradeço! É um prazer participar do blog. Sucesso, porque está cada dia mais interessante!
    Beijos pra vocês.

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  3. Adilson Portugal Rachid30/3/13 19:38

    Muito interessante evesclarecedor.
    Fato é que de verdade preço não é tudo mesmo.

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