17 de janeiro de 2014

Livro Dois Rios – T. Greenwood

Harper Montogomery vive em Dois Rios, Vermont, e comemora o aniversário da sua filha no mesmo dia em que lamenta a morte da sua esposa, a mulher de sua vida. Um homem melancólico, solitário. 

Dois Rios trabalha no tempo presente dos personagens (década de 80), mas contextualizando com o fim dos 60 e início dos 70. Assim, tem várias questões sociais e políticas envolvidas: Guerra do Vietnã, segregação racial, movimentos sociais. E tudo isso impacta na vida e decisões dos personagens principais. 

Essa contextualização é necessária para que possamos entender como a vida dele chegou a esse tempo, porque ele se tornou o que se tornou e como todos em sua volta estão nesse ponto.

T. Greenwood traz uma narrativa um pouco cansativa. Com 448 páginas, há um certo exagero. Umas cem páginas a menos já ajudariam a deixar o texto mais fluido. 

O personagem principal é uma mistura de raiva, melancolia, ódio, culpa.... Mas sua passividade o acompanha desde a juventude. Demora a tomar decisões, permite que decidam sua vida, enfim, não toma as rédeas da situação. Claro que há momentos (muitos) em que se percebe que sua situação é tão desesperadora que não há outra coisa a se fazer do que seguir o que aparece.

Para completar a situação caótica, um acidente de trem de grandes proporções acontece na cidade. Dentre os sobreviventes, há uma adolescente negra e grávida que procura por Harper. Registrei o “negra”, pois mesmo na década de 80 era raríssimo ter um não branco em Dois Rios. O surgimento dessa menina mudará radicalmente e por definitivo a vida de Harper e sua filha Shelly.

Apesar de minhas ressalvas, não posso deixar de mencionar que o livro nos faz pensar sobre como preconceitos, medos, dúvidas e imposições nos impede de agir e quando vamos contra padrões enraizados, podemos enfrentar graves consequências. Mas isso não pode nos limitar a seguir em diante.

Testado por Rafaela 

Recebemos esse livro da Novo Conceito através da parceria com o blog Entre Livros.

4 comentários:

  1. Parece interessante, hein! Não é o tipo de livro que eu gosto de ler, mas lendo a resenha faz diferença. Se fosse um pouco menor, né? Beijos, Rafa!

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    1. É, ele poderia ser um pouquinho para não ser tão cansativo. Algumas partes ficaram meio repetitivas.
      Beijos, Carol!

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  2. Achei interessante, mas um livro com esse número de páginas, dificilmente a leitura não se torna cansativa.

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    1. É um risco grande de ficar cansativo, mas se fosse uma leitura envolvente, ficaria mais fácil de aguentar. rs

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