29 de setembro de 2014

Livro e filme O doador de memórias – Lois Lowry

Recebemos da editora Arqueiro O doador de memórias. Enquanto lia, fui assistir ao filme de mesmo nome (graças a Carol do Entre Livros e sua parceira Paris Filmes). Resolvi, então, fazer um post contando minhas impressões dos dois.

O livro conta a história de uma comunidade isolada que vive perfeitamente: todos têm casa, comida, obrigações, estudam, trabalham de forma igualitária. A cada ano, até chegar aos doze, as crianças vão assumindo novas responsabilidades. Ao atingir a idade de 12 anos, cada uma recebe uma atribuição de acordo com suas habilidades e perfil observados pelo anciãos e a anciã-chefe. 

Jonas, Asher e Fiona, três amigos com a mesma idade, estão na época de receber as suas. Jonas recebe uma especial e única – a de receber todas as memórias. Simplesmente porque nenhum morador, além do recebedor de memórias, possui memórias de cores, de sentimentos, de presença de chuva, frio. Nada que possa desequilibrar a funcionamento perfeito da comunidade. Mas ninguém tem noção disso por estar condicionado a não receber nada, simplesmente ignora a existência de todas essas coisas.

Jonas, quando começa o trabalho com seu doador de memórias, vê tudo o que ele e seus pares estão perdendo. Todas as sensações, boas ou ruins, que estão à disposição. Desde a angústia, a dor, o sentimento de perda, a fome... até o amor, a risada, a alegria, enxergar as cores e as diferenças. Enfim, as dores e a alegria que o mundo “de fora” experimenta. E a angústia do doador toma conta de Jonas.

Há bastante diferença entre o livro e o filme. Algumas são sutis, outras são bem determinantes para o desenvolvimento da trama


Apesar disso, a adaptação às telas deixou a desejar. Como vi o filme quando ainda estava nas primeiras páginas, achei uma boa adaptação. O filme começa bem promissor – em preto e branco, um visual asséptico. Mas lendo o livro, há, no filme, uma resolução abrupta depois de todo um enredo que vai crescendo em termos de revolta, de decisões e descobertas. Foi resolvido fácil demais. Isso também acontece no livro, mas no filme é muito mais rápido e simplório, depois de uma hora de angústias dos personagens.

Pesquisando por aí, vi que são quatro volumes. Então, vamos como é a continuação. Acredito que a partir do ponto onde o primeiro parou é que a história se torna mais interessante.

A narrativa da Lois Lowry é bem simples e não deixa o leitor confuso, inserindo muitos personagens ou informações que a gente não tenha tempo de assimilar. 

Como não sou fã dessa literatura distópica que está em alta, confesso que demorei para ler tudo. Mas se a gente tirar alguma lição do livro é uma crítica ao controle que o Estado tenta ter (e tem) sobre a população. E como nossos desejo do fim do sofrimento, das diferenças (obviamente, utópico) não seria 100% desejável, bom. Pois é fundamento básico ter sentimentos opostos para buscar um equilíbrio saudável, melhorar sempre.



Jeff Bridges (o Doador) e Meryl Streep (anciã-chefe), como sempre, arrasam em seus papeis. Ainda há a participação de Katie Holmes, como a mãe de Jonas (que é interpretado por Brenton Thwaites, de 25 anos!).

Enfim, não foi minha leitura preferida, não ficarei ávida esperando pelos outros volumes, mas gostaria de saber a continuação da história.

O doador de memórias é de 1993 e foi lançado com o nome de O doador. Foi relançado pela Arqueiro com nome e capa do filme.

No livro, há uma entrevista com a cantora e atriz Taylor Swift – que faz uma participação. 

Testado por Rafaela

7 comentários:

  1. Achei o enredo muito interessante. Não é o primeiro da lista, mas, pretendo ler.

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  2. Não tinha me chamado a atenção este livro e o filme. Não sei se porque está na onda de muitas distopias e eu acabo achando que é tudo a mesma coisa.
    Mas a sua opinião Rafa acendeu uma luzinha aqui na minha cabeça e fiquei com vontade de dar uma chance ao livro.
    E um dos motivos maiores que eu não fui ver o filme foi a escolha do protagonista (os outros filmes que eu vi dele, ele estava muito fraco). Uma série de quatro livros, aiaiai... Sabe se já foi publicado todos eles?

    XOXO
    Mia Duarte - Hora da Colunista

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    1. Não conhecia o ator, pelo menos não me recordo dele. Mas Jeff Bridges segura a onda e está muito bem, como sempre.

      Gostei mais do livro. No filme, é tudo resolvido rápido demais.

      Acho que no Brasil só tem o primeiro livro publicado. rsrs

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Ai, preciso postar minha resenha! Adorei, Rafa. O filme me agradou bastante, mesmo sabendo que mais uma série eu não aguento. Me amarrei na trilha sonora e acho que certas cenas baseadas em fatos só fizeram o filme ficar ainda mais interessante. Gostei muito.

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    1. Estava com expectativas baixas e me surpreendi positivamente. Gostei mais do livro, mas, no geral, não é uma série que ficarei suspirando pelos próximos livros. rsrs

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