9 de abril de 2017

COLUNISTA – Uma noite como esta – Julia Quinn

Sinopse
Daniel Smythe-Smith passou três anos exilado na Itália depois de um duelo com seu amigo, o gênio matemático Hugh Prentice, e quase o fez perder uma perna. Com isso o pai de Hugh. Lorde Ramsgate, o ameaçou dizendo que se ele não saísse do país seria morto, mas um dia ele recebe a visita de seu amigo, que o libera para voltar à Inglaterra...
Ele volta justamente no dia da apresentação do Quarteto, mas encontra uma pessoa diferente ao piano (já que sua prima Sarah fingiu estar doente para não participar, Anne Wynter, a governanta das irmãs dela a substituiu), ao olhar para ela, ele fica encantado e, ao final da tortura apresentação ele corre para encontrá-la. Ao vê-la, não resiste e a beija, mesmo sem conheçê-la direito e ela, depois de um tempo escapa dele e se esconde.
Por falar em se esconder, Anne Wynter (ou melhor, Annelise Shawcriss) esconde seu passado de todos, pois ela teve que se afastar de sua família, após ser enganada e humilhada por seu amado, que prometeu se casar com ela, sendo que na verdade já estava comprometido com uma mulher mais rica. Além de ter perdido a virgindade, o que já era terrível, ainda leva toda a culpa pelo que aconteceu, e por isso, ela não pode mais ter contato com a família e ela é levada para viver como uma governanta numa residência na Ilha de Man. Depois de um tempo, Anne foi contratada para cuidar das meninas Pleinsworth, primas de Daniel. E apesar da tentativa de manter seu passado oculto, a Lady Pleinsworth desconfiava que ela era de origem nobre e tinha motivos para negar sua criação.
Daniel, ao saber que Anne é a governanta de suas primas, resolve ir sempre à casa Pleinsworth sob o pretexto de vê-las, e sempre ia passear com elas, porque sabia que ela iria junto. E, com isso eles vão ficando cada vez mais apaixonados, mesmo que ela não admita. Ma, o que ele não sabe, é que os segredos de Anne, vão além do tipo de criação que teve, e que agora, mais do que nunca, precisará conhecer o seu passado, pois ambos estão correndo perigo, e, desta vez, não tem nada a ver com o Lorde Ramsgate ou o duelo.

Anne Wynter entrou de gaiata na apresentação do desastroso Quarteto Smythe-Smith, substituindo Sarah no piano (que “inoportunamente” fora acometida por uma indisposição). Não importava se ela era boa ou não no instrumento. Contanto que não fizesse contato visual e mantivesse sua cabeça e atenção voltadas para as teclas do piano, ela não teria problema. E assim, conseguiria manter sua fachada de uma governanta invisível no meio da sociedade aristocrática de Londres. Porém, o destino tinha preparado outros planos para a protagonista. E ser substituta por uma noite na apresentação foi só um gostinho do quanto a vida pacata e segura dela estava por um triz.

“Na verdade, o único objetivo que ela buscava naquela noite era não ser notada. Porque realmente não queria aquilo: ser percebida. Por uma variedade de razões.”

Se virasse filme... Chris Pine como Daniel e Gal Gadot como Anne
Uma noite como esta é focada na história de Anne Wynter, governanta do trio das tagarelas meninas Pleinsworth, que possui um passado que vai sendo mostrado no decorrer do livro. Mesmo, tendo sofrido por amor e ter arcado sozinha as consequências da humilhação que sofrera quando adolescente, Anne não conseguiu evitar se apaixonar pelo Conde de Winstead. Ela é uma mulher madura e deixara para trás os sonhos românticos da juventude. Entretanto, seu coração e corpo não conseguiam esquecer aqueles lábios que lhe roubaram um beijo, e lhe despertara para a vida. 

“Você pode fugir, pode tentar se esconder, mas meus homens o encontrarão. E você não vai saber quem são. Portanto, não os verá chegando.”

Daniel ficara exilado de sua família por longos três anos na Itália, por um fato idiota movido por uma bebedeira entre amigos. Ameaçado de morte, ele teve que fugir. Porém, tudo fora resolvido e ele estava de volta. E não tinha noite pior do que a da apresentação do Quarteto, aquela terrível tradição familiar. Mas, aquela moça ao piano, não era uma de suas quinhentas primas. E bastou um olhar que ele ficara encantado pela lady em questão. Que até cometera “rouba-lhe” um beijo. 

“Esse beijo... Eu o desejo com um fervor que abala a minha alma. Não tenho ideia de por que o desejo, mas foi o que senti no instante em que a vi no piano, e isso só aumentou desde então.”

Uma noite como esta, que recebemos da editora Arqueiro, pode até entrar naquele problema dos protagonistas se apaixonaram de maneira esfuziante e do “nada”, como se o leitor não tivesse visto todos os sinais da paixão acontecendo. Eu disse poderia. Mas, com Julia Quinn, ela consegue desviar desse caminho. Sabe como? Humanizando os personagens, principalmente Anne, que começamos a conhecer e a se simpatizar quando se desenrola os acontecimentos do seu passado. E o quanto ela sofrera, mas mesmo assim se apaixonara novamente. Não como outrora. Anne agora era uma mulher e sabia o que queria. E Daniel Smythe-Smith mesmo sendo versado em mulheres, se apaixonara não pelo corpo de Anne, mas por ela, vendo que não poderia viver somente com um beijo, ele precisaria de mais outros.

“O tempo parou. Simplesmente parou. Era o modo mais piegas e clichê de descrever, mas aqueles poucos segundos em que o rosto dela se ergueu na direção dele... pareceram se esticar e se estender, dissolvendo-se na eternidade.”

Outra maneira de não cair na armadilha – onde encontrar a cama mais próxima – a autora mostrou os protagonistas vivendo suas vidas rotineiras e alguns momentos engraçados. Pois, não tem como não cair na gargalhada com o trio das meninas Pleinsworth (principalmente na hora da atuação da peça de Harriet: “A triste e estranha tragédia de lorde Finstead”). O clima sensual não debanda para o lado sexual. Já que os toques e o entrosamento dentre os personagens acontecem de maneira natural e não banalizada.

Claro que o final feliz demora a acontecer, já que o passado sempre volta para aterrorizar a vida de Anne. Então é necessário, Daniel vencer alguns dragões para poder casar com sua princesa. 


XOXO

Mia Fernandes.

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